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Chama de um passado...

Author: Miguel de Paula /




Quem diria que por um simples olhar um passado retornaria...

Há oito anos um grande amor foi apagado de forma trágica! O brilho de seus olhos não pude mais admirar!

Saber que seus olhos estariam fechados, sua boca calada por um silêncio que me incomodaria eternamente fizeram-me sucumbir!

Observá-lo em um caixão mogno, adornado com belos leões dourados, eu sabia que ali perante a todos estava morto um pedaço de mim! Recebia abraços e palavras que supostamente iriam me confortar todo momento, mas nada fez com que meus olhos deixassem de zelar sua urna que ali se encontrava lacrada preservando seu corpo até o momento da despedida!

Sinto cheiro de rosas! Como é delicioso! Como pode acontecer?

O rosário em minhas mãos entrelaçado encontra-se! A aliança do nosso amor aperta em meu dedo e não consigo conter as lágrimas de uma dor agonizante de um coração que sangra por enterrar seu sentimento mais precioso!

Nesse momento tão sofrido ajoelho-me e juro que essa bela chama que um dia foi acesa por você jamais seria apagada... Decidi trancá-la a sete chaves dentro de meu coração de forma que ninguém teria acesso!

Oito longos anos se passaram e um olhar singelo com um sorriso tímido fizera com que meus olhos se fechassem e o coração se abrisse! Sim, o portão do conhecido coração de gelo estava vulnerável...

Me permiti que o desconhecido que nunca vira em minha vida adentrasse no coração de gelo e reascendesse todas as lanternas que ali se encontram! Sim! Uma a uma, noite após noite, cada lanterna estava sendo acesa, chama por chama!

Notei que algo que a muito tempo não sentia estava prestes a se revelar! O gelo começou a trincar e com ele a hemorragia que ali fora estancada começara a vazar! Por trás de tantas lanternas que na escuridão se encontrava o desconhecido chegou a porta que jamais deveria descobrir!

Não! Não! Não! Não pode ser tão semelhante...

A porta se abriu e a chama que pequenina se encontrava se inflamou, tomando proporções que em breve sairia do meu controle! Seria bom deixa-la viver e o coração bater mais forte?

O coração esquentou e o gelo se foi, inseguro fiquei e minha segurança abalei! Deus, e agora? Não sei viver assim! A razão entrou em colapso e a muralha da qual construí ficou exposta! Desespero tomou conta! Socorro!

O que deixei fazer? Paixão, Ternura, Esperança, o que vocês fazem? Sentimentos esses que trancados eu deixei e neles não confiarei! Meus olhos abrem, tento colocar tudo no controle mas parece uma guerra sem fim! Lembranças retornaram como se tivesse vindo as pressas contra a corrente! Além do mar de minhas ilusões você está! Como daria tudo para olhar nos seus olhos mais uma vez!

Confesso, com medo fiquei! Vai saber se o mar de minhas ilusões terá razão!

A chama toma conta e vira um grande incêndio! Tarde demais! O desconhecido sem saber se espanta e parte deixando somente o rastro das lembranças que reascendeu!

Você não se passa de lembranças que um dia existiu! Sua luz esta sem par! Não seja cruel! Você irá nos sucumbir e nos condenar a morte! Pequena chama, grande Amor! Retorne no seu aposento por favor! Se a muralha cair morreremos e o pequeno mundo que conhece irá se desfazer como poeira ao vento! Você é um passado capaz de me incendiar, mas incapaz de sobreviver mundo afora! Não julgue o desconhecido! Não se passa de um semelhante!

Vejo seu sorriso depois de oito anos revivido em lembranças! Por favor! Retorne!

A agonia toma conta e as dores do passado retornam, não consigo controlar! Menino dos belos olhos, você está ai? Proteja-me de mim mesmo!

Ó, Menino dos belos olhos, você está sorrindo! Sabia que você viria ajudar a lutar contra esse passado que me assombra! Ajuda-me na batalha?

O incêndio é controlado, e com a sinceridade do desconhecido ele é apagado! Menino dos belos olhos a você confio para trancar o portão do coração que está prestes a desmoronar! Enquanto luto, por favor tranca-o!

O desconhecido já revelou seu verdadeiro eu! Meus olhos se abriram e a chama eles zelarão! O portão está trancado e as lanternas estão se apagando! Tudo está voltando a ser como antes! Fique calma Pequena chama!

Pequena chama, grande Amor... Não tenha medo! Ninguém irá apagá-la ou tomar seu coração! Não precisa inflamar, mas precisa saber que és um amor antigo que comigo morrerá! Uma luz sem par que irá viver comigo enquanto minha vida durar!

Saiba pequena chama, doce lembrança... No mar das minhas ilusões você estará tranqüila...

Pequena chama... Lembre-se...

"Se eu bailar no meu batel
Não vou ao mar cruel
E nem lhe digo aonde eu fui cantar
Sorrir, bailar, viver, sonhar contigo".

Pequena chama, grande Amor!

Este sou eu! Este é você! Um só ser! Um só coração...




(Miguel de Paula)

1 comentários:

Higor Cirilo disse...

Excepcional...
Abordagem mais do que espetacular
Enfim, texto perfeito!
Só tenho o que elogiar!
Abraços

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